
Sigo as pegadas deixadas na neve. Marcas do sofrimento de incontáveis dias de solidão. Nítido o esforço nos minutos finais. As marcas tornam-se mais desorganizadas mas, ainda assim, mais pernetrantes.
Luto por chegar mais longe do que o meu semelhante. Embora tenha plena consciência que a derrota é o cenário mais provável, gasto todo 0o meu fôlego na tentativa de um milagre.
Milagres. Oh doce ignorância! Depois de tantas provas em contrário deste fantástico fenómeno, continuo a acreditar que é possível que as probabilidades e, consequentemente, a Matemática sejam simples argumentos e, nunca, vistos como dado adquirido.
Deixo de ser um homem de ciência. Sou, agora, alguém cuja mente vagueia pelos cantos da magia, da impossibilidade. Começo a criar em mim um poço de fé e, sobretudo, de esperança. Incrível como isso é reconfortante!
Continuo a jornada enquanto o sol se enfraquece e a noite se apodera do meu mundo. Sendo eu pessoa de luz, só há uma coisa que receio: a terrível e tenebrosa escuridão. Enquanto desce a noite, a minha reserva de fé e esperança é tudo o que me resta.
É isso que me mantém vivo e esperto para tudo o que me rodeia. É isso que me faz sorrir. No fim de contas, a noite é curta e, na manhã fria, as minhas pegadas começam a tornar-se também mais pesadas.
Talvez seja o cansaço ou talvez seja o ar gélido que tento inspirar. Não sei, nem vou chegar a saber.
Pois, enquanto me dirijo ao vale da salvação, sou um homem feliz, aoinda que não complete essa jornada.
A felicidade é, sem dúvida, o som da minha vida.
AMS